A praia de Moledo desapareceu como um fantasma, mas isso não ocorreu da noite para o dia. Foi desaparecendo um pouco já antes dos dias de tempestade, sucumbindo a marés fortes e ao Inverno que surpreende os visitantes que se habituaram, durante o Verão, a um areal cheio de claridade e ventania. A ventania é eterna, mas a claridade é sazonal e com limitações que dependem do Eterno. A minha sobrinha Maria Luísa, a eleitora esquerdista da família, atribui o roubo da praia às alterações climáticas, e Dona Elaine pisca-me o olho à sorrelfa, como se eu entendesse de meteorologia e ciências naturais. Não entendo. Limito-me a recordar tempestades de antanho, marés que se abateram como um desastre sobre o areal frágil de Moledo e, tal como hoje, roubaram as dunas e parte dos pequenos promontórios de onde, durante as caminhadas de Verão, se juntam os observadores de Santa Tecla, que tem festa de bombos e gaitas de foles em agosto – enquanto do lado de cá tocam as concertinas e passam as filarmónicas nos adros. Há vinte anos que não subo as suas colinas, que são o miradouro ideal para ver a pequena baía de Moledo, o forte da Ínsua e a foz do Minho. O forte da Ínsua já foi uma ruína e a foz do Minho um estreito canal por onde o rio se perdia aos poucos, e aos soluços, no mar mais azul da costa.
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O Tio Alberto gostava de café “con unas gotitas” e tomava-o nessas peregrinações plebeias pela Galiza.
Achava que os rios eram interessantes consoante a temporada da lampreia ou da truta
Por sermos leais ao passado, não há escolha quando se trata de boa educação.
Era bom para peregrinos de Castro Laboreiro ou frades eremitas de Rendufe.
Não gostava de nêsperas e tinha um certo desprezo por legumes no prato, tratando-os como um apenso decorativo.
Os “portugueses de antigamente” tinham vícios muito contemporâneos e eram tão velhacos e tão impertinentes como os de hoje.
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