É uma pena que ‘A Ponte sobre o Drina’, o romance de Ivo Andric (1892-1975), tenha começado pelo grão-vizir Mehmed Pasha e não duzentos anos antes, no tempo de Murade I (1326-1389), cujos 700 anos assinalamos hoje. Mehmed foi levado de Visegrad, na Bósnia, para Constantinopla a fim de ser incorporado na força militar dos janízaros, criada em 1365 por Murade I; acabou por servir sob três sultões, começando por Solimão, o Magnífico – o maior, o cimento fortíssimo do califado otomano, metade da geografia humana conhecida. De entre os livros para compreender o tema, escolho ‘Os Otomanos’, de Marc David Baer (Temas e Debates). Murade I tem direito a vinte páginas, mas a criação dos janízaros é central: tratava-se de jovens escravos cristãos, convertidos ao Islão e à cultura turca, a maior força de elite do sultanato. Os 540 anos do império otomano começaram realmente sob a sua direção; lendo os mapas de então, o atrevimento de Murade I (e do seu filho) foi decisivo e definitivo. Recuemos para saber como será o futuro.
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