Carlos Anjos
Presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de CrimesOs crimes na Internet continuam a aumentar. Um homem (44 anos) foi detido pela PJ por, aparentemente, chantagear a ex-companheira (42).
Queria reatar a relação. Se isso não acontecesse, divulgaria nas redes sociais fotografias de nudez total, tiradas quando tudo corria bem. Este caso mostra que, apesar do esforço das entidades oficiais e até dos meios de comunicação social em informar dos perigos, os números deste crime continuam a subir assustadoramente.
Demonstra que continuamos a pensar que isto só acontece aos outros, principalmente aos mais jovens. É falso. Acontece a todos. Neste caso, ambos tinham mais de 40 anos, não sendo jovens inconscientes. E este é um crime transversal a toda a sociedade. Quando alguém faz um filme ou tira fotografias íntimas ou em práticas sexuais, tem de perceber que criou condições para essa intimidade ser, um dia, do conhecimento de todos.
E o argumento que o autor das fotografias era a pessoa que se amava, não serve de desculpa. Como sabemos, alguns dos atos mais bárbaros e violentos são praticados por quem, um dia, fez juras de amor, amor do qual só resta ressentimento e ódio. Não perceber isto é meio caminho andado para ser vítima deste crime.
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Tendência de agravamento contínuo desde o período pós-confinamento.
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Maioria dos crimes violentos ligados ao tráfico de drogas.
Margem de recrutamento diminuiu devido aos baixos salários.
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