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Carlos Anjos

Carlos Anjos

Presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de Crimes

Homicídio transnacional

23 de julho de 2026 às 00:30

Todos sabíamos que o crime não tem fronteiras. Bem podem pregar contra os imigrantes, que para os verdadeiros criminosos, as fronteiras pouco importam. Sabíamos que é assim em toda a criminalidade organizada. Esta moda chegou aos homicídios. A recente deslocação de três cidadãos brasileiros a Portugal com o alegado propósito de matar um homem e o roubar constitui um exemplo da transnacionalidade do crime. A globalização, a facilidade de circulação de pessoas, os transportes aéreos de baixo custo e as tecnologias de comunicação permitem hoje que um qualquer criminoso planei e execute um crime para além das fronteiras do seu país. Os autores podem ser de um país, receber instruções noutro e concretizar o crime num terceiro, dificultando a investigação e a recolha de prova. Esta realidade exige uma cooperação cada vez mais estreita entre as forças policiais, através da partilha de informação. Portugal, que é um país seguro, não está imune a este fenómeno, sendo confrontado com novas formas de criminalidade importada ou coordenada a partir do estrangeiro. O combate eficaz a esta ameaça depende unicamente de uma resposta integrada, rápida e internacional, capaz de acompanhar a mobilidade e a sofisticação das redes de crime, e muito menos do domínio das fronteiras.

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