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Carlos Anjos

Carlos Anjos

Presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de Crimes

Não há risco zero

25 de junho de 2026 às 00:30

Na semana passada, morreram duas crianças às mãos dos progenitores ou afins. Duas situações violentas e já analisadas. Sobre esta matéria, o Procurador-Geral da República (PGR) precisou que "há situações que são inevitáveis, situações que acontecem de um momento para o outro e que ninguém espera ou prevê. Uma briga, um problema, uma indisposição, uma discussão podem gerar todas essas circunstâncias". Não podia estar mais de acordo com o PGR. Não tenhamos ilusões; vão sempre existir casos semelhantes a estes. Por melhor que seja a gestão de risco destas situações, há sempre situações que escapam e que podem descambar em violência e morte. Quem prometer risco zero ou risco eliminado, mente. É simples. Para que tenhamos uma ideia do problema, de acordo com os dados nacionais das CPCJ em 2025, existem 94.743 crianças sinalizadas, sendo que 60.250 foram sinalizadas em 2025, e 34.493 são sinalizações que vêm de 2024. Os números de sinalizações, cresceu cerca de 29% nos últimos quatro anos. É impossível garantir que nenhuma destas crianças, para não falar das que não estão sinalizadas, está imune ao risco ou a qualquer outro perigo. Esteve bem o senhor PGR, ao alertar que apesar do esforço feito pelo País nestes últimos anos, há situações imprevisíveis e que podem sempre acontecer.

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