Os efeitos da guerra no Médio Oriente sentiram-se de imediato no preço dos combustíveis, que disparou para valores incomportáveis para a magra carteira dos portugueses. Na vizinha Espanha, o governo percebeu a agonia que este escalar de preços provoca nas famílias e empresas e avançou com medidas como a redução do IVA dos combustíveis, da eletricidade e do gás natural de 21 para 10%. É verdade, leu bem: uma descida de 11%. A isto soma-se ainda a suspensão temporária do imposto sobre a produção elétrica e a redução do imposto especial sobre eletricidade, de 5,1% para 0,5%. E Portugal? O que nos dá? Um desconto de 9 cêntimos no gasóleo e 5 na gasolina, um apoio de 10 euros à botija do gás - mas só para as famílias carenciadas - e um reembolso de 10 cêntimos por litro, durante três meses, no gasóleo profissional. É incrível como o Estado abre sempre os cordões à bolsa para salvar bancos, pagar indemnizações milionárias na TAP, tapar buracos em empresas públicas, mas quando toca a salvar os contribuintes, que são quem sustenta o Estado, sobram apenas migalhas. O Zé Povinho vai pagando, vai passando fome e o Governo lá vai vendo a Sport TV devidamente maquilhado.
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