Choveu a potes! Mais de 700 mortos, 20 mil casas destruídas. Tudo arrastado pela lama. Mas isso era proibido dizer ou mostrar nas rádios e na televisão. Foi a noite de 25/26 de Novembro de 1967. Nos bairros de lata das ‘traseiras’ de Lisboa (Odive- las, Vila Franca de Xira, Lou- res) registava-se a maior ca- tástrofe desde o terramoto de 1755. Em Belém e S. Ben- to, debaixo de telha, davam-se ordens para esconder a desgraça. Os mais letrados citavam Ega, personagem de Eça de Queiroz, que diz em ‘Os Maias’: “Lisboa é Portugal. Fora de Lisboa não há nada. O país está todo entre a Arcada e S. Bento!” A Arcada era o Terreiro do Paço. Daí a expressão “Portugal é Lisboa, o resto é paisagem!” O povo foi obrigado a desenrascar-se. Por estes dias, já com sofisticadas previsões meteorológicas, Portugal voltou a sofrer com chuvas e ventos. Pouco prevenido e fiando-se na Virgem, o Governo começou por assobiar caladinho. Debaixo de telhas, que não voaram, imaginam-se as conversas dos governantes em Belém e S. Bento. Suspeita-se que o diagnóstico foi este: “Agora, vamos ao desenrascanço!” Desen- rascanço é património imaterial de Portugal. Hoje, a paisagem já não é o que era há duas semanas. Mas já passa na TV.
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Olhamos para o lado e vemos o Governo espanhol a apoiar famílias e empresas
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O mais urgente: remeter ao MJ as propostas da regulamentação em falta, para aprovação.
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