Na semana passada, o Parlamento Europeu atribuiu o Prémio Sakharov 2016 para a Liberdade de Pensamento às jovens yazidis Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar, que sobreviveram a meses de cativeiro e escravatura sexual às mãos dos terroristas do Daesh.
As suas histórias, que ouvi a outras jovens yazidis em primeira mão e que tentei dar a conhecer a Portugal (incluindo numa conferência de imprensa com a Lamiya que organizei há uns meses em Lisboa), são de uma crueldade tal que quase nos fazem perder a fé na Humanidade. Só não perdemos porque Nadia e Lamiya não deixam: apesar das sevícias que lhes martirizam ainda corpo e mente, entregaram-se à tarefa de alertar o mundo para o sofrimento das jovens ainda presas e da sua comunidade.
Também nós, portugueses, podemos fazer a nossa parte. Há mais de seis meses que trabalho com o meu colega austríaco Josef Weidenholzer na recolocação de um grupo de 470 pessoas desta comunidade que expressaram interesse em vir para Portugal.
Não foi a sua primeira opção: quando os visitei pela primeira vez na Grécia, em abril, não se falava senão em Alemanha e Suécia, onde muitos têm família e de onde chegavam rumores de esperança e vida digna. Pôr Portugal nos sonhos destas pessoas não foi fácil, nem é irreversível. Há que mostrar que os queremos receber, há que pressionar as autoridades gregas e europeias para que os façam enfim começar a vir. E há que os ajudar a integrar.
Em retorno, este projeto dá-nos a oportunidade de sermos reduto da solidariedade que vem vergonhosamente escasseando na Europa, pressionando outros governos a começar a dizer a verdade aos europeus: as nossas envelhecidas populações precisam destas pessoas, que muito poderão contribuir para áreas fundamentais da nossa economia, como por exemplo, e neste caso específico, a agricultura, atividade principal da comunidade yazidi. Não deixemos sem resposta o grito de esperança de Nadia e Lamiya!
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