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Miguel Alexandre Ganhão

Miguel Alexandre Ganhão

Subchefe de Redação

Jornais, bancos e diplomacia

13 de novembro de 2017 às 00:30

A operação Fizz, que envolve o ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, acusado de ter corrompido o procurador Orlando Figueira, assumiu nos últimos dias contornos inusitados.

A saber: um dos arguidos, o advogado Paulo Blanco, veio dizer na sua contestação que quem ofereceu emprego ao procurador Figueira foi Carlos Silva, vice-presidente do Millennium/BCP e presidente do Banco Privado Atlântico (BPA), e quem fez o contrato foi Daniel Proença de Carvalho, presidente Global Media.

Acontece que Proença de Carvalho e Carlos Silva são sócios na InterOceânico, que detém 4% do Millennium/BCP.

Na semana passada, José Pedro Soeiro, identificado como "um investidor residente em Londres", entrou como investidor no Grupo Global Media, presidido por Proença de Carvalho.

Na foto que ilustra este artigo temos José Soeiro, José Carlos Lourenço (atual administrador executivo da Global Media) e Carlos Silva, todos juntos no lançamento de uma publicação em Angola, em 2011.

José Soeiro trabalha no Grupo Coba, que já pertenceu a Carlos Silva e agora é de Lopo do Nascimento, ex-primeiro-ministro de Angola.

Se a contestação do advogado Paulo Blanco levantou polémica, também a contestação do procurador Orlando Figueira tem muito que se lhe diga.

A saber: o procurador vem arrolar como testemunha toda a administração do Millennium/BCP, incluindo o seu presidente e vice-presidente, e requer como diligências que se juntem aos autos a listagem de presenças nas salas das reuniões no Millennium/BCP efetuadas entre novembro de 2012 e janeiro de 2015, identificando o nome sob o qual foi feita a reserva.

E que seja junto igualmente o conteúdo da reunião havida em 2012/2013 em que estavam presentes os procuradores Cândida Almeida, Rosário Teixeira e Paulo Gonçalves, com a conselheira Joana Marques Vidal, a propósito dos processos que então corriam no DCIAP e que envolviam altas figuras do Estado angolano.

Puro veneno

Concelhia e diretas no mesmo dia

A concelhia do PSD de Lisboa vai a votos no mesmo dia em que o partido escolhe entre Rio e Santana para a liderança (13 de janeiro). Os candidatos à capital já estão em campanha e parece desenhar-se uma corrida a quatro.

Berardo contra património

A Coleção Berardo e o Centro Cultural de Belém colocaram em tribunal a Direção-Geral do Património Cultural. Não se sabem os motivos, o que se sabe é que o objetivo é obrigar o organismo do Estado a passar um conjunto de certidões.

Ren impugna seis milhões em imposto

Rodrigo Costa entrou com um processo de impugnação no Tribunal Tributário de Lisboa, no passado dia 7 de novembro, contestando a exigência da Autoridade Tributária sobre a REN – Gasodutos SA, do pagamento de seis milhões de euros.

Cuidado com a legionella

Só no passado dia 7, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo gastou mais de 66 mil euros na compra de aparelhos de ar condicionado para diversos hospitais da zona da Grande Lisboa.

Seis milhões em viagens e hotéis

São seis milhões de euros por um contrato de três anos para viagens e estadias em hotéis. O Banco de Portugal, liderado por Carlos Costa, assegura um desconto de 7,5% em todas as faturas que a empresa fornecedora, a Emviagem, Lda, apresentar para pagamento. 

Mobilidade

Concurso

Scooters elétricas furam negócio das bicicletas em Lisboa

O concurso para as bicicletas de Lisboa, que vale 28,9 milhões de euros e vai durar nove anos, está em risco de ser um fiasco completo.

Depois dos problemas iniciais, que levaram a autarquia a mudar o formato do concurso, entregando a sua gestão à EMEL, a empresa autárquica deixou-se ultrapassar pela multinacional eCooltra, que gere uma rede de scooters elétricas partilhadas e que já tem várias motas a circular na capital.

A EMEL lançou um projeto-piloto de bicicletas na zona da Expo, mas as scooters elétricas já dominam todos os espaços de Lisboa.

O cromo da semana

Comemorar os 100 anos da revolução Russa com o PCP como um dos partidos do arco do poder é um sonho que Cunhal gostaria de presenciar.

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