O tema das cativações – o dinheiro orçamentado para cada Ministério e que acaba por ser congelado – regressou em força. Há uns meses, era assunto apenas de PSD e CDS, vexados por um Governo da geringonça ter conseguido um défice tão baixo quando, ao mesmo tempo, devolvia rendimentos aos portugueses. Agora está de volta e não se restringe ao Parlamento.
Precisámos de dois escândalos sucessivos – o incêndio de Pedrógão e o roubo a Tancos - para nos lembrarmos de que estas cativações, estas poupanças, são dinheiro para assegurar algumas funções do Estado, mas que fica guardado para baixar o défice e agradar a Bruxelas. Este raciocínio é, em larguíssima medida, simplista. Pela simples razão de que não é possível afirmar com certeza inabalável que estes casos se deram por falta de dinheiro.
Houve falta de muita coisa, certamente, começando pela organização e pelo rigor, mas o dinheiro não terá sido a mais importante. Não devíamos precisar destes acontecimentos para olhar para o tema.
O dinheiro é curto para distribuir benesses pelo eleitorado, servir bem os cidadãos e consolidar as contas públicas. Não há almoços grátis e já devíamos saber isso.
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