Está perigosa a ‘aldeia global’ em que vivemos: o mal que golpeia Berlim, Istambul, Amã ou Alepo afeta-nos a todos. E não estamos a salvo no nosso jardim à beira-mar plantado. Mas mesmo com forças de segurança de sobreaviso - como estavam as alemãs quanto à ameaça de ataque terrorista a um mercado de Natal - é impossível travar o destravamento suicida de quem tem contas a ajustar com um mundo que não entende como seu.
Pagaremos por muitas gerações o tormento que deixamos infligir ao povo sírio, com Alepo a inspirar ‘lobos solitários’. Pagaremos o fraquejar de Obama ao esquecer as linhas vermelhas que havia traçado. E a fraqueza dos governos europeus que acenaram ‘no-fly zones’ e corredores humanitários para proteger o povo sírio mas deixaram o vazio que Putin ocupou. E que continuaram a vender armas e a fazer outros negócios com monarquias do Golfo financiadoras dos terroristas que continuarão ativos no Grande Médio Oriente. Pagaremos pela Turquia, que descamba para o islamo-fascismo (afinal foi um homem da segurança presidencial quem assassinou o embaixador russo...). Pagaremos duramente na Europa, onde continuamos de mãos atadas, por uma política económica absurda que, ao arrasar o crescimento, fomenta insegurança que alimenta populismos. E onde fazemos o jogo dos terroristas ao deixar refugiados e migrantes entregues às redes da criminalidade.
À hora a que escrevo, o(s) assassino(s) de Berlim ainda não foi apanhado. Admite-se que seja um infiltrado entre genuínos refugiados. A Alemanha não pode sucumbir ao discurso do ódio e do medo e não pode continuar a sobrepor interesses a valores. Na América que elegeu Trump, resiste-se ao ódio entoando ‘Love trumps hate’ (o amor vence o medo). No mesmo tom, para vencer terror e ódio, no mercado de Natal atacado alemães e refugiados espontaneamente entoaram ‘We are the world’!n
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