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Fernanda Cachão

Fernanda Cachão

Editora da Correio Domingo

Eucalipto

29 de setembro de 2026 às 00:30

Cheira a fim de festa no Brasil. Neste outubro, mês das eleições, Lula da Silva faz 81 anos e tornou-se numa espécie de eucalipto para o PT. Se for reeleito, chega ao fim do mandato com 85 anos de idade. Se perder é possível que se discuta logo a sua sucessão, se ganhar e concluir o mandato só em 2030. Há quem, mesmo dentro do PT, prefira que trate já do tabu. Contra os vaticínios de um tempo que já não existe – o do primeiro mandato do histórico em 2003 -, o Brasil continua a ser um país desigual e talvez por isso, politicamente polarizado e sem alternativas ao centro fiáveis (que é uma palavra esquisita a propósito de partidos, o pilar central dos regimes democráticos). Boa parte, com reputação duvidosa, tornam alguns também a ter em causa a sua própria sobrevivência por causa da ‘cláusula de barreira’ que limita o acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita na TV e rádio se o partido não conseguir eleger mínimos olímpicos, que têm crescido a cada ciclo eleitoral. O que poderia servir como pílula de apagamento dos chamados ‘partidos do palhaço’, serve antes também para cavar mais fundo a clivagem político-partidária.

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