Com o comboio de tempestades percebi, levemente enciumada, que os espanhóis falam do nosso anticiclone como se ele fosse das Canárias. Creio que nenhum português tenha alguma vez precisado de aprender castelhano para comprar caramelos em Badajoz ou para ler este excerto de texto do jornal ‘La Voz de Galicia’: “El anticiclón de las Azores quiere corresponder el amor que muchos gallegos le profesan. Ha planificado su regreso para el próximo 14 de febrero, día de los enamorados para algunos y sábado de carnaval para otros. Además, todo apunta a que su vuelta no será flor de un día (...) ”, e mais por aí adiante, que aqui não há espaço, escreveu o colega Xavier Fonseca no jornal galego. Não pensem que foram só os ‘irmáns’ a norte do Minho, também em jornais de grande expansão e com sede em Madrid, como o ‘El País’, foi ‘um tu cá tu lá’ com o anticiclone que Nemésio reivindicou (vale a pena ler Francisco José Viegas sobre a obra-prima ‘Mau Tempo no Canal’, na página 31) . Resolvi, portanto, investigar o nosso anticiclone e logo descoroçoada descobri que foi um francês o primeiro a mencioná-lo. Léon Teisserenc de Bort (1855-1903), o primeiro a usar balões meteorológicos e codescobridor da estratosfera em 1902, procurou compreender porque é que o inverno de 1879-80 na Europa Central foi um dos mais rigorosos de que há registo. E para isso fez mapas da distribuição da pressão atmosférica, que mostraram que a área de altas pressões que normalmente se situa perto dos Açores no Inverno se tinha deslocado para leste, até França: os ventos amenos de sudoeste que sopram do Atlântico e dão a grande parte da Europa um clima invernal ameno tinham sido substituídos por ventos frios de origem continental. O anticiclone dos Açores é um dos nove centros de alta ou baixa pressão atmosférica. Está lá grande parte do ano, mas muda de posição e de intensidade conforme as estações. Dá-nos verões quentes e secos e os invernos moderados, e o facto de ter desertado dessa função contribuiu para a anomalia registada nas últimas semanas. É, afinal, o nosso melhor diplomata pois além de ajudar a promover o turismo, ainda influencia o tempo na Europa Ocidental, no Norte de África e na América do Norte.
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Dá-nos verões quentes e secos e invernos moderados
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