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Fernanda Cachão

Fernanda Cachão

Editora da Correio Domingo

O cheiro do papel

19 de abril de 2026 às 00:30

Já ninguém se lembra a Livraria Barateira, que tinha o nome com ela, além de 1914, a data da informação por cima da porta – ali para as bandas do Teatro Trindade, ao Bairro Alto. A Barateira foi fundada por um tal de Salvador dos Santos Romana e teve os seus melhores tempos em 1960, quando Portugal já abria a pestana. Já não resta muita coisa que se assemelhe em antiguidade a funcionar em Lisboa. É por isso que a capacidade de perseverança da Castro Silva é digna de se assinalar, depois de sair da Baixa pelos motivos que apenas calculamos, passou por um espaço junto à Alfredo da Costa, noutro tipo de Lisboa, para agora assentar os arraias (agora é uma força de expressão) e espraiar-se pelo rés-do-chão de um edifico de arcadas da Almirante Reis – à beira da shisha, da roupa em segunda mão, dos ímanes, dos sem-abrigo e de turistas, esta página não daria para descrever a Babel daquela avenida.

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