Ainda me lembro desses tempos heróicos em que Henry Kissinger era a encarnação do demónio. Para uma parte da esquerda progressista, o ex-secretário de Estado norte-americano era acusado das maiores torpezas – no Vietname, no Chile, até em Timor – e o seu realismo amoral era intragável para os espíritos humanistas.
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Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.
É só o fim das certezas fáceis.
Eis, finalmente, os três anos de estabilidade e diálogo que o Presidente Seguro tão generosamente nos prometeu.
O destino do conflito será decidido entre o impulso de parar já e a suspeita de que parar agora pode sair mais caro do que continuar.
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