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Miguel Azevedo

Miguel Azevedo

Jornalista

A cultura vai ficar mais pobre

07 de janeiro de 2022 às 00:30

Um estudo feito no Reino Unido revelou que o mercado musical britânico já perdeu mais de um terço dos empregos devido à pandemia (69 mil pessoas). A principal causa é a ausência de espetáculos ao vivo. O faturamento caiu 90%, contribuindo para desvalorizar a indústria em biliões de libras. Houve também uma quebra de 40% no número de criadores musicais, entre eles compositores e produtores. Por cá, quando entramos no terceiro ano de pandemia, o panorama é dramático, agravado por constantes medidas discriminatórias e incongruentes para o setor e também algumas trapalhadas e lapsos do Governo. A crise do setor da cultura é conjuntural, mas durará muito para lá do fim da pandemia, chegue ele quando chegar, algo que a tutela não consegue antecipar. Não é possível fazer programação cultural com o mesmo timing com que se define a ementa de um restaurante. Também em Portugal muita mão de obra qualificada já abandonou o setor. Pedro Magalhães, da Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos (APSTE), dizia-me em dezembro que "muito profissionais abandonaram o País aproveitando a oportunidade da Expo Dubai e poderão nunca mais voltar". Também Rafaela Ribas, da associação Espetáculo, contava-me que "as conversas entre agentes, artistas, promotores e técnicos já anda muito à volta de enviar currículos e optar por uma mudança de vida". Sem novos apoios previstos e com o fim das moratórias, não sei se o Governo já fez as contas, mas a cultura vai ficar ainda muito mais pobre.

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