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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Campanhas Ucraniana vs Americana

20 de julho de 2026 às 00:30

Apesar de contextos muito diferentes, a comparação entre a campanha ucraniana dos “40 dias” contra a Rússia (lançada no final de junho, simbolizando o purgatório) e a campanha americana contra o Irão (retomada há 10 dias) é pertinente porque ambas são exemplos de coerção estratégica, mas com resultados paradoxais. A da Ucrânia é defensiva e limitada, centrada em ataques de precisão a infraestruturas críticas e na erosão progressiva da capacidade económica e logística russas, destinada a pressionar Putin a pôr fim à agressão; os EUA voltaram a uma ofensiva militar de elevada intensidade contra o Irão, agora tentando controlar Ormuz, mas com objetivos difusos e uma estratégia em constante mutação. A campanha ucraniana, estruturalmente mais fraca do que a Rússia, consegue alinhar operações militares com efeitos políticos incrementais, ao passo que a dos EUA, superpotência, gera resiliência adaptativa no regime iraniano e seus proxies e desgaste entre americanos e aliados. A eficácia da coerção estratégica depende menos da magnitude do poder e mais da coerência entre objetivos, capacidades e habilidade estratégica da liderança política.

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