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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Um Novo Médio Oriente

22 de junho de 2026 às 00:30

O Memorando de Entendimento (MOU) entre os EUA e o Irão consubstancia o fracasso do Presidente Trump, incapaz de alcançar qualquer dos seus objetivos nesta guerra, saindo vencedor o regime iraniano e como principal perdedor o PM israelita Netanyahu. Seguem-se difíceis negociações sobre tudo o que interessa, desde o programa nuclear iraniano e os termos da reabertura do Estreito de Ormuz aos previstos programa de reconstrução do Irão, acesso iraniano aos ativos congelados e levantamento das sanções. Paralela e paradoxalmente, a Administração Trump e o regime iraniano terão de se articular para moderar os seus “protegidos”, respetivamente, Israel e Hezbollah, a fim de salvaguardar uma paz relativa. O MOU acelera também a recomposição geopolítica do Médio Oriente: a Administração Trump inicia aqui a “retirada estratégica” dos EUA declarada na sua Estratégia de Segurança Nacional; e os Estados da região procuram uma nova forma de coexistência numa nova arquitetura de segurança, como revela o recente “quarteto sunita” Paquistão-Arábia Saudita-Turquia-Egipto. O “pacto de não-agressão” entre Washington e Teerão é parte de um novo Médio Oriente.

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