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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Gaza: déjà vu?

03 de agosto de 2026 às 00:30

O “novo” acordo e roteiro de paz para a Faixa de Gaza prevendo, essencialmente, desarmamento do Hamas, retirada militar israelita e administração tecnocrática palestiniana repete anúncios anteriores e dificilmente ultrapassará fases iniciais. O grupo terrorista Hamas, sob a nova liderança de Kalhil Al-Hayya, concorda porque não tem grandes alternativas e tentará reclamar vitória se o roteiro levar mesmo à retirada de Israel – mas não é crível que entregue as armas ou que todas as fações e outros grupos o façam. Mais dúvidas ainda do lado israelita, pelo histórico incumprimento de compromissos e cessar-fogos e pela proximidade das eleições em que o PM Netanyahu procura a reeleição, sendo pouco provável que avance na retirada efetiva de Gaza. Paralelamente, a ambiguidade quanto à capacidade (ou vontade) de Trump em impor o cumprimento do acordo, as reservas internacionais quanto ao Conselho de Paz dominado por Trump e as muitas dúvidas sobre a constituição da Força Internacional de Estabilização, da Força Policial Palestiniana e do Comité Nacional Palestiniano tecnocrático reforçam o ceticismo quanto a uma implementação sustentada.   

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