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Luís Tomé

Luís Tomé

Professor Catedrático de Relações Internacionais

Estreito “atómico”

13 de abril de 2026 às 00:30

Mesmo desconhecendo os futuros resultados das negociações entre EUA e Irão, é este que está em vantagem. Embora tenha sofrido danos significativos, o regime iraniano sobrevive, limitando a conversão da superioridade militar americana em ganhos estratégicos. Para as negociações no Paquistão, o Irão conseguiu “impor” que a delegação americana fosse liderada pelo Vice-Presidente JD Vance que se opôs à guerra. E ainda que sem chegar a acordo, o cessar-fogo subsiste e o Irão tem no controlo do Estreito de Ormuz um trunfo negocial sobre os mercados internacionais e sobre a Administração Trump. O bloqueio do Estreito, inexistente até aos ataques americano-israelitas iniciados em 28 de fevereiro, é uma “arma atómica” disponível de imediato, não dispendiosa e altamente rentável geopolítica e economicamente, conferindo a Teerão uma vantagem assimétrica e condicionando Trump, interessado em estabilizar preços da energia e outros bens e travar impactos políticos internos mais adversos. Trump quer mostrar que alcançou uma “paz através da força” – esperemos que não seja à custa de portagens no Estreito “atómico” partilhadas com o regime iraniano.

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