Dos debates mais lamentáveis a que tenho assistido de há um tempo para cá, é este sobre a lei dos solos. Escrevia um conhecido militante do PS, num jornal semanário, que quem diz o que se diz sobre os perigos da lei dos solos é de certeza gente não faz ideia do que é governar uma autarquia. As pessoas não sonham a dificuldade que é encontrar terrenos, com todas as classificações que existem de zonas protegidas classificadas, com regimes especiais, com RAN, com REN, com POOC, com tudo e mais alguma coisa, onde se possa, por exemplo, construir fábricas que deem emprego às populações, que tragam riqueza às comunidades e à economia nacional. E em muitos concelhos do País, é muito difícil conseguir espaços para receber essas zonas de acolhimento empresarial. As pessoas não fazem ideia, também, das enormidades e do radicalismo de várias normas dos POOCs, cometendo atentados aos direitos e às garantias das pessoas. Se a lei que está para sair estabelece uma série de garantias, tendo de ser as alterações aprovadas nas câmaras e nas assembleias municipais, e depois constituírem-se unidades especiais de execução que exigem discussão pública... E nas autarquias, mesmo que as maiorias errem, há oposições, para além do escrutínio público e da comunicação social. E não é para se construir nem arranha-céus, nem rotundas, nem nada do género. Nos termos do que está previsto na lei dos solos, esses terrenos só podem receber ou habitação pública ou habitação privada a custos moderados e não se pode construir nessas zonas mais protegidas ou mais sensíveis. E falar em conflito de interesses, que sentido faz? Então por exemplo, um qualquer primeiro-ministro, que não este, que tenha comprado uma casa ou que queira comprar uma casa, não pode legislar sobre habitação? Um primeiro-ministro que tenha uma propriedade agrícola não pode legislar sobre incentivos às explorações agrícolas? No caso que agora se discute, como é evidente, só haveria conflito de interesses se a sociedade que o primeiro-ministro constituiu decidisse construir ao abrigo do regime de custos moderados que este diploma vem consagrar. Aí sim, seria conflitual. As pessoas hoje em dia quando veem alguém a pensar numa solução, pensam logo o pior dessa pessoa. E Portugal continua com estes atrasos. No meu concelho tenho investimentos de centenas de milhões de euros de grandes empresas de setores de tecnologia de ponta que querem investir e não há espaços térreos onde os possam fazer, porque os que podem servir são rústicos. Que sentido é que isto faz? Que tristeza o nível e a ignorância que se constata nestes debates.
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Foi uma cerimónia muito digna, sem incidentes nem faltas de respeito. Hoje em dia não é frequente.
Cometeu erros, como acontece com todos. Sempre igual a si próprio: íntegro, inteligente, incomparável.
Uma pessoa pode ser muito experiente e não ser inteligente e/ou não ser sensata.
Ficará mais claro o quadro em que se desenrolaram muitos acontecimentos no PPD/PSD e que levaram ao que recentemente foi chamado de birra.
Não pensem nas confrontações políticas do costume. Há muita gente que ficou sem nada.
Há muitos eleitores que estão saturados da Política como ela está, que preferem uma mudança profunda ou mesmo uma rutura.
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