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Pedro Santana Lopes

Pedro Santana Lopes

Não exagerar

23 de outubro de 2026 às 00:30

O que se passa no Brasil, em Espanha e em França, pelo menos, demonstra até que ponto o sistema democrático está em profunda crise. Sinceramente, por aquilo a que já assistimos e por aquilo que se vai anunciando, é muito difícil os sistemas políticos continuarem a funcionar como aconteceu nestes séculos mais recentes.

Falo nesse horizonte temporal porque é nele que se concretizou e estabeleceu a tripartição de poderes/funções no Estado: os tais Legislativo, Executivo e Judicial.

As mudanças radicais nos sistemas políticos de cada Estado traduzem, no plano interno, a dinâmica quase revolucionária que está a acontecer no plano internacional. Neste, as organizações que existem, como a ONU e outras entidades, já não conseguem responder ao que se passa no Mundo. Como a NATO se vai desatualizando e as organizações regionais acentuam as suas crises. O Mundo espera respostas que não chegam e são os três Países mais poderosos que, cada vez mais, chamam a si a possível resolução dos problemas. Veja-se o caso da guerra Rússia/Ucrânia: nem NATO, nem UE se vão sentar à mesa. No caso dos EUA, são representantes especiais, individualmente designados, que se reúnem com Vladimir Putin.

Nós três Países que referi, nomeadamente os dois europeus, o Estado está como que bloqueado e o poder cada vez mais se achincalha com intervenções descontroladas e manifestações caóticas e destrutivas. No Brasil, os agentes do Estado vão-se destruindo ou descredibilizando como no caso dos procuradores ou juízes que aparecem em campanhas eleitorais com camisolas de fação ou envolvidos em processos escandalosos como o de um conhecido banco brasileiro.

Nas democracias, nem o Legislativo, nem o Executivo, nem o Judicial conseguem responder de modo adequado, na substância e principalmente no tempo. Diminui drasticamente ou esgota-se se a capacidade de resposta de que os Povos tanto precisam. Sabemos que, como diz o poeta, o Mundo é feito de mudança. Mas também não é preciso exagerar. Nomeadamente, quando a mudança é andar para trás no tempo. Têm reparado no regresso de assembleias populares durante as manifestações, com votações de braço no ar? E no regresso dos vândalos, como nas ruas de França? Entretanto, os carros já voam e nós cada vez mais falamos com o ChatGPT e equivalentes.

Estamos num PREC, a todos os níveis e em todos os domínios.

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