page view

Pedro Lopes

Presidente da direção da ASF-ASAE

SIADAP: um modelo ultrapassado?

18 de maio de 2026 às 00:30

O SIADAP prometeu meritocracia, mas na ASAE, com a sua anualização, ameaça tornar-se um exercício burocrático que pouco avalia e muito consome. Num organismo onde a ação inspetiva exige técnica, autonomia e capacidade de decisão, o sistema revela a sua maior contradição: pretende medir desempenho, mas ignora o contexto operacional, a imprevisibilidade do terreno e a pressão processual que molda o trabalho real. Pior ainda, transforma o mérito num bem racionado e de açambarcamento seletivo. Quando a excelência depende de quotas, deixa de ser reconhecimento e passa a ser lotaria administrativa. Não se distingue quem mais contribui; distribuem-se percentagens. Esta lógica economicista converte um modelo que deveria motivar num mecanismo que desvaloriza. E há o ponto cego que ninguém assume: com uma avaliação assente em variáveis subjetivas, o SIADAP deixa de ser um sistema e passa a ser um juízo pessoal das chefias. O trabalhador não é avaliado pelo que faz, mas pelo que alguém decide ver. É poder sem critério, sem equilíbrio e sem transparência. Talvez seja tempo de admitir que um modelo pensado para a rotina não serve uma instituição que vive da exceção — e que o mérito não pode ser limitado por tabelas nem condicionado por subjetividades, simpatias ou interesses economicistas.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

O Correio da Manhã para quem quer MAIS

Icon sem limites

Sem
Limites

Icon Sem pop ups

Sem
POP-UPS

icon ofertas e descontos

Ofertas e
Descontos

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8