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Rui Pereira

Rui Pereira

Professor universitário

O rufar dos tambores

29 de agosto de 2026 às 00:30

Na conclusão da “Crítica da Razão Prática”, em 1788, Kant declarou-se maravilhado com duas coisas: sobre ele o céu estrelado; nele a lei moral. Na Königsberg natal (atual Kaliningrado), onde pontuava as horas com passeios exatos, o seu túmulo recorda para sempre tais prodígios. Porém, nem todos os vindouros leram a placa tumular. Vivemos numa época assombrada por demónios que críamos mortos e enterrados há oitenta anos. Na proposta de paz perpétua, o filósofo não considerou a autofagia da humanidade, incapaz de realizar o sonho prometeico (apesar dos avanços da genética e da inteligência artificial), mas apta a extinguir a sua aventura terrena. Se a recordação da rosa de Hiroshima se desvaneceu com o passar dos anos, sobram as suas sementes “aditivadas” nas mãos de criaturas que tomam a moral e o direito internacional por contos infantis e invocam livros sagrados como manuais de destruição massiva. Oxalá o nosso percurso não seja o círculo do eterno retorno, com a repetida glorificação da morte, mas sim uma espiral superadora de conflitos e geradora de um roteiro para a paz. O primeiro dever de um estadista é insistir nesse caminho.

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