Bruno Pereira
Docente universitárioDe 2010 para cá foram encerradas 14 esquadras no Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, não porque houvesse grande vontade política, ou propriamente fruto de uma redefinição da arquitetura orgânico-funcional da maior unidade de polícia do país, mas porque grande parte delas apresentavam condições de higiene e salubridade próximas do miserável. Isso permitiu, como hoje se pretende, ganhar escala e otimizar melhor os poucos recursos que a PSP tem na capital. De lá para cá o Comando de Lisboa perdeu quase 1500 polícias, passando de 8000 para uns sofríveis 6500. Porque é que insisto nesta questão? Insisto desde logo porque o atual Ministro anunciou em maio passado que tinha recebido uma proposta da PSP para fechar esquadras, quase 2 dezenas, uma medida com a qual tendia a concordar desde logo face à escassez manifesta de Polícias para responder a uma área metropolitana que não para de crescer, quer em população, quer em desafios. Entretanto o que vemos é letargia e um anúncio florido que dá relevo a uma bela parangona, mas que não passa disso. Pense-se apenas no número de polícias que poderíamos reafectar: se fixarmos o referencial em 10 polícias por esquadra que se ocupam do atendimento e segurança das instalações, o fecho de permitiria rentabilizar mais de 200 polícias (ainda aquém dos 400 prometidos pelo Primeiro-ministro). Mas mais, se levarmos por diante a mudança de paradigma no atendimento, em que só temos esquadras centrais abertas 24H, funcionando as demais em regime horário parcial, imagine-se os ganhos complementares que teríamos. E não precisamos de chegar tão longe como o modelo inglês que tem apenas 1 esquadra aberta em cada 1 dos 32 boroughs (concelhos) da área metropolitana de Londres, tendo percebido, desde há muito, que não são os edifícios que nos protegem, mas sim os Polícias.
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Em 2023, mais de 47% dos Oficiais referia ter pensado em desligar-se da PSP.
O que vemos é letargia e um anúncio florido que dá relevo a uma bela parangona, mas que não passa disso.
Esta medida, em vez de unir, só desagrega e espartilha.
O futuro oficial da PSP é submetido a uma capacitação tripla.
Desde 2022 os concursos têm ficado com vagas por preencher.
Somos exímios a fuzilar e torpes e louvar.
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