Bruno Pereira
Presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de PolíciaHá coisas que não se entendem, mas que teimam em acontecer na condução ziguezagueante que alguns partidos apresentam em certos processos legislativos. Ora veja-se: na semana passada foram apresentados vários projetos na Assembleia da República que influíam sobre a vida dos Polícias, designadamente a correção do valor do suplemento especial de serviço entre Forças de Segurança e PJ, a criação de um suplemento para os polícias que trabalhem nas fronteiras, e ainda a criação [e extensão] do suplemento de fixação para os profissionais da PSP, GNR e PJ que trabalhem nas regiões autónomas, à semelhança do que já acontece para os Guardas Prisionais desde o ano passado, depois de votado pela maioria no parlamento. A estupefação que destaco resulta, em particular, da posição do PS (já que a do PSD era perfeitamente expectável) em abster-se, curiosamente, em relação à correção legítima do valor pecuniário do suplemento atribuído à PJ, por comparação com o aprovado em 2024 para a PSP e GNR, já que foi o PS, enquanto Governo, a criar essa imparidade e injustiça. E também quanto ao suplemento de fixação, que mereceu em 2025 a adesão do PS, votando a favor o projeto do Bloco (para os Guardas Prisionais), mas agora, sem se compreender, não segue o mesmo diapasão para os demais Polícias que trabalhem nos arquipélagos. A não ser que o PS ache verdadeiramente que existem razões para esta atroz discriminação, ou então a única explicação que encontramos é que a coerência política, das visões e prioridades políticas, existe apenas quando dá jeito evocá-la, e não se venha dizer que a razão é puramente orçamental já que se assim for, então estaremos apenas a promover um Estado de filhos e bastardos, onde para uns, por serem poucos, inexistem travões, enquanto para outros, por serem muitos, sobram apenas migalhas. É incrível a leviandade com que se pulveriza a dignidade e a equidade que deveria, na origem, nortear as decisões que são assumidas no Parlamento. E com isto se manda a dignidade policial para o galheiro.
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Não se percebe como é que determinadas medidas não são aplicadas na PSP.
A coerência política, das visões e prioridades políticas, existe apenas quando dá jeito evocá-la.
Há muito a fazer e não basta pedir-se mais presença policial.
Se os Polícias da PSP tiverem que empenhar horas a guardar cadáveres, deixam de poder responder a todas as milhares de situações de emergência.
Temos que fazer mais, mas não basta às Polícias fazê-lo.
É preciso mais eficiência na gestão dos RH policiais.
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