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Sérgio A. Vitorino

Sérgio A. Vitorino

Jornalista

Impunidade

16 de agosto de 2026 às 00:30

Daqui a umas semanas alguém se vai lembrar de que, pela impaciência de um condutor que não quis esperar 5 minutos, um rapaz galês de 19 anos morreu atropelado ao correr de bicicleta numa estrada portuguesa? Foi ‘apenas’ a 297.ª vítima mortal, desde 1 de janeiro, da Guerra Civil de Portugal. Finlay Tarling, ciclista profissional na Volta, estava a trabalhar - a justificação que os condutores mais utilizam para tentar passar antes de tempo pelos controlos da GNR (seguida por “eu vou já para ali, são só 100 metros”) - e pôs a sua vida nas mãos dos polícias e da organização, mas também confiando que nenhum condutor invadisse a estrada onde pedalava. Como, aliás, todos nós fazemos no dia a dia. Esta perceção de que “a estrada é minha, faço como quero” - próxima do Alfa da violência doméstica - é a causadora da tragédia nas estradas. O problema não é (só) andar a 180 km/h nas autoestradas; e afirmá-lo é ser cúmplice da impunidade de quem passa vermelhos, não pára em cruzamentos e passadeiras, faz zigzags e razias a pessoas, ciclistas e motos. Hoje, quem é parado pela GNR para deixar passar a Volta, não espera. Vai por caminhos e vielas até entrar mais à frente na Nacional. Esse ‘gato e o rato’ é comportamento criminoso.

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