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Sérgio A. Vitorino

Sérgio A. Vitorino

Jornalista

A morte com um copo atrás

12 de julho de 2026 às 00:30

O guarda da GNR Jorge Monteiro, de 29 anos, sinalizava um acidente no IC2, para evitar tragédias, quando foi atropelado por um condutor com taxa crime de álcool (1,20 g/l ou superior) e morreu. Com essa taxa de álcool, o risco de envolvimento do condutor num acidente de viação aumenta em quase 50 vezes. A relação trágica entre consumo de álcool e condução está mais que demonstrada, mas algo está muito errado quando os indicadores mostram que, em vez de melhorar, o cenário agrava-se: em 2014, a percentagem de condutores mortos com taxa igual ou superior a 0,50 g/L era de 26,6 % e, em 2019, subiu para 37,0 %. O álcool é a causa de 1/5 de todas as mortes na estrada. A atrasadíssima Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, em consulta pública, promete programas de alteração comportamental como aposta para a mitigação da condução sob efeito de álcool. Estou para ver o que vai sair. Falta uma medida concreta, como reduzir os limites máximos: multa a partir dos 0,20 g/l; e crime desde os 0,8 g/l. Uma medida de choque, porque o único lobby que pode vencer é o da vida humana, não o dos restaurantes/discotecas, produtores de vinho ou fabricantes de cerveja.

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