O Orelha era um cão comunitário que vivia na Praia Brava, no Brasil, dormia numa das três casotas destinadas às mascotes daquela zona e estava ao cuidado dos moradores. Durante dez anos, o dócil animal tornou-se numa companhia para reformados, num amigo para as crianças e numa atração para turistas. Até que, a 4 de janeiro, quatro adolescentes decidiram torturá-lo até à morte. O facto de terem pais ricos e influentes e de viverem num país marcado pela violência, pela injustiça e pela corrupção levou-os a acreditar que o crime seria ignorado, à semelhança do que aconteceu com o outro cachorro que tentaram afogar no mesmo local. Mas não. O incidente gerou uma onda de indignação que está a ter repercussões além fronteiras, com a revolta a tomar conta das redes sociais e a envolver figuras públicas, associações, empresas e marcas. Porque pedir justiça pelo Orelha é pedir justiça por todos os animais indefesos que são vítimas da impunidade, que não têm voz nem leis que os protejam. E é em momentos como este que são tomadas decisões que desenham o futuro da sociedade e dos jovens que a sustentam, onde seja possível distinguir os verdadeiros animais.
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Pedir justiça pelo Orelha é pedir justiça por todos os animais indefesos que são vítimas da impunidade.
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