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A actividade desta agência pesa regiamente no orçamento dos contribuintes – e dela não recebe o cidadão notícias regulares. Desta vez, no auge de uma tenaz luta pela sobrevivência, não aconteceu assim.

A agência mostrou, ainda, que distingue os portugueses entre cidadãos de primeira e de segunda. Ferro Rodrigues está notoriamente entre os primeiros e, por isso, teve direito a “press-release” para a Lusa, antes, até, do CM ter recebido a notificação em carta registada prevista pela lei!...

Vamos ao essencial. O que está em causa são preceitos formais, sendo que, efectivamente, o CM falhou no cumprimento geométrico das regras da publicação. E falhou porque, em boa-fé, foi para além daquilo que a Lei de Imprensa manda. Publicámos a carta de Ferro Rodrigues (que não quis fazer comentários na véspera), e ainda lhe juntámos o comunicado do PS e as declarações de Vera Jardim, cujo tom insultuoso poderíamos ter desprezado. Se no mesmo espaço acrescentámos um Editorial fizemo-lo por respeito aos nossos leitores e para os tranquilizar sobre a confiança nas nossas “fontes”: não tirávamos uma linha, como não tiramos, ao teor da polémica notícia.

A agência não perdeu, de novo em relação ao CM, a oportunidade de deliberar em claro atropelo ao espírito da lei, que foi criada para defender os cidadãos sem acesso fácil à comunicação social e à capacidade de defender os seus pontos de vista. A Ferro Rodrigues, como toda a gente estará recordada, não lhe faltaram os meios. Mas a agência, como sempre, ficou-se pelo que convinha – e desta vez convinha a forma.

NOTA - Como Director do CM estou impedido por lei de me pronunciar hoje sobre o teor da carta repetida de Ferro Rodrigues. Evitei-o também há algumas semanas, dessa vez por respeito ao Homem e a uma revolta que pensava sentida e ditada pela honra e boa-fé. Perdida a ilusão na grandeza de alguns sentimentos, em função dos termos da queixa, direi o que tenho a dizer na edição de amanhã.

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