Tão inevitáveis como o destino, regressarão ao nosso horizonte quotidiano o ramerrão, a rotina e o percurso intrincado, cruzado e banalizado do dia-a-dia. Nada há a fazer a este respeito.
Encontramo-nos física e psicologicamente preparados para respeitar horários, cumprir obrigações e tornear as dificuldades dos engarrafamentos e do estacionamento, das discussões e do relacionamento nos locais de trabalho, e ainda do regresso a casa, dos problemas familiares, da falta de qualidade da televisão.
Para além de tudo isto, estamos habituados à conflitualidade da nossa vida política, às escaramuças no Parlamento, às polémicas batalhas verbais na comunicação social, ao duelo constante entre o Governo que faz o melhor que pode e sabe e uma Oposição que, esquecida do que fez e do que deixou por fazer, esgrime, esbraceja e vocifera para complicar a vida ao Executivo que lhe sucedeu.
De vez em quando, porém, insinua-se neste panorama uma intervenção incomodativa, uma pedra no sapato, que traz à cotação e divulga por Portugal inteiro aquilo que só alguns portugueses pensam mas que, segundo regras cientificamente estabelecidas, segundo as sondagens todos os portugueses devem estar a pensar.
Nessa altura (pasme-se!) ficamos a saber que desce a popularidade do Governo que quer pôr a casa em ordem, enquanto sobe a da Oposição que tão irresponsavelmente a desarrumou. Mais do que isso, que se neste ou naquele momento houvesse eleições, seria o Partido Socialista a vencer, e o PSD a perder.
Lemos e continuamos a ler, sempre rendidos à evidência embora com dificuldade em acreditar. Então o PS, cujo Governo cessante deixou o País à beira da bancarrota e com total inconsciência abandonou o poder, é agora olhado com benevolência e merece um voto de confiança, enquanto os Partidos actualmente no Governo, empenhados em remediar o estado calamitoso em que encontraram o País, já são postos à margem, desprezados e mesmo crucificados na ara da opinião pública?
É certo que tem havido medidas impopulares. Mas não perceberemos nós que a adopção de tais medidas pelo actual Governo é um efeito, e que a causa das mesmas foi a política hesitante, laxista e despesista do anterior?
Se não percebemos mesmo, então nada há a fazer. As sondagens tornaram-se mais uma daquelas rotinas incrivelmente chatas a que já estamos habituados - e resignados.
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Por Carlos Rodrigues
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