A primeira questão é se o bom senso impera e se salva os mercados financeiros, aproveitando para separar o trigo do joio: as operações especulativas das outras, por forma a que de futuro o sector financeiro reflicta melhor a economia real.
Pode bem ser o fim do "supercapitalismo", como lhe chamou Robert Reich, antigo secretário de Estado do Emprego de Bill Clinton, uma oportunidade de exercício de responsabilidade de todos, de forma a que o processo político deixe de ser um prolongamento do económico como certeiramente refere aquele autor. Mas pode ser também exactamente o inverso (é só olhar a China e a Rússia ou mesmo a Venezuela). O que também não é necessariamente bom.
Oportunidade para reajustar ou fim de época, é o ponto: escolher a marcha dos povos no tempo ou a revolta dos povos e o fim de um tempo. A natureza humana não é propriamente do melhor que há e as dificuldades raramente geram solidariedades generalizadas. Em regra, produzem é vítimas. As primeiras vítimas costumam ser exactamente aqueles que por qualquer razão são diferentes, em regra os imigrantes (não foi sempre assim, na História?).
Não deixa de ser curioso que, depois da revolução industrial, das revoluções políticas e das guerras dos últimos três séculos, estejamos a viver a revolução financeira. De certa forma também ela uma guerra, só que com armas diferentes e por agora sem sangue, mas pode, sem dúvida, conduzir a guerras no sentido tradicional, até porque uma segunda grande recessão dos Estados Unidos não deixaria de ser uma oportunidade de vingança histórica para muitos países que, independentemente das razões, encarnam o Mal naquele País e imputam-lhe as condições sociais adversas em que vivem os respectivos povos.
Por isso, esta crise pode ser também uma dupla oportunidade no que respeita aos mercados e ao reposicionamento dos Estados Unidos.
Esperemos que a marcha dos povos siga na boa direcção.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Não parecendo uma pessoa extrovertida, o Papa Leão XIV transmite algo de ternurento e carinhoso.