Da matriz fundadora das civilizações grega e latina às raízes das três grandes religiões monoteístas filhas do Antigo Testamento tudo se encontra num espaço marcado pelo grande mar comum de judeus, cristãos e muçulmanos à beira do qual igualmente brotaram os conceitos de democracia ou de cidadania.
A ligação estreita e a charneira en-tre estas origens comuns passa pela atual Turquia, da posição estratégica sobre o Bósforo ao caldo de culturas milenares na grande península da Anatólia. São na Turquia de hoje a mítica Troia e grande parte da civilização grega, nas muralhas de Ancara pode ler-se o compromisso do jovem imperador Augusto para com os povos que aí encontrou.
Não existe cidade europeia que tantas vezes se tenha reinventado, primeiro como Bizâncio, depois Constantinopla e nos últimos séculos como Istambul, sempre no coração de impérios multiculturais desde a Roma do Oriente à Sublime Porta otomana.
Depois de décadas de sucesso a superar as feridas da II Guerra Mundial a Europa, refém da pobreza de imaginário de uma ortodoxia financeira oriunda do que outrora se denominava por reinos bárbaros, parece de regresso à doença fatal da época que sucedeu ao colapso dos impérios prussiano, austro-húngaro, russo e otomano. Das guerras tribais entre os eslavos do Sul, ao renascimento da ideia da grande Hungria com Orban, ao domínio germânico tendo como arma o euro é uma galeria de fantasmas perigosos a renascer. Mas o elemento mais perturbador é a crise que retalha a Turquia entre Europa e Oriente, entre laicidade e a centralidade do Islão, entre a autocracia iluminada e a democracia. A economia pujante, a qualidade das elites e a vontade de afirmar um islamismo democrático faziam da Turquia um País decisivo e melhor preparado para integrar a União Europeia que alguns dos Estados pós-comunistas. Mas a agenda medíocre e chauvinista de Merkel e Sarkozy fecharam a porta à Turquia. Hoje a Europa em crise é cada vez menos atraente o que torna perigosa a deriva de desintegração turca.
De pouco valeu reabrir a Porta de Brandeburgo se a Sublime Porta de Istambul se cerrar de novo.
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Por Carlos Rodrigues
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