Mourinho – o treinador moderno e pragmático –, Deco – o mágico, rei das assistências –, Postiga e Derlei – os goleadores –, Pinto da Costa – o envelhecido, mas não acabado, presidente dos presidentes de futebol. É esta a síntese do FC Porto campeão 2002/03, a melhor equipa do campeonato. Sublinho: equipa. É certo que todos os anteriores campeões tiveram um treinador inspirado, um estratega essencial, um goleador decisivo e um presidente mais ou menos interventivo. Mas há muito que o futebol português não tinha uma verdadeira equipa: com figuras sim mas sem os golos em catadupa de Jardel que levaram o FC Porto ao ‘penta’; com problemas sim mas sem a aflição do Sporting de Inácio; com esforço sim mas sem a fealdade do futebol do Boavista de Pacheco. Todos campeões, nenhum deles com o vigor e a consistência do actual campeão. A prová-lo a possibilidade do pleno em três competições e a goleada (5-0!) da consagração. O raciocínio de Mourinho e as jogadas de Deco têm sido apontados como as princípais razões do título, e muito bem. Mas pergunto: e sem os golos de Postiga e Derlei, as recuperações de Costinha e Maniche, os centros de Paulo Ferreira e Nuno Valente e o silêncio de Paulinho Santos e Secretário o FC Porto seria campeão e finalista da Taça de Portugal e Taça UEFA? Claro que não. Sobretudo desta forma grandiosa. E se dúvidas houver, o Dicionário da Academia das Ciências esclarece: equipa (do francês ‘équipe’) – "Conjunto de pessoas unidas na realização de uma tarefa comum." É este o segredo do sucesso no futebol, aplicável a qualquer mundana tarefa colectiva. Ao mesmo tempo, tão simples e tão difícil de conseguir quando se trata de pessoas. Basta ver os exemplos dos inofensivos adversários do FC Porto.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
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