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Soares regressou à luta. Ainda em fase exploratória, em reflexão, como ele diz, mas aí está ele.

Para acabar com as hesitações de Sócrates e as ilusões de Alegre e Freitas. E talvez as de Cavaco e dos mais tenazes cavaquistas.

O efeito Soares promete muito. E agita suficientemente as águas para que alguns se afoguem. E ainda bem. Porque o cenário era de um surrealismo tristonho e desanimador.

Cavaco é só aquilo que mostra. E que é muito pouco. Vive de braço dado com um politicamente correcto, nos limites do obsceno.

Soares é um ‘entertainer’. Bem ou mal, tem opiniões (sempre discutíveis…) sobre tudo e não as esconde. Digere lindamente as suas maiores trapalhadas e contradições. Não receia a polémica nem se deixa manipular. É ele, sempre, o grande manipulador.

No limite, talvez Cavaco possa parecer politicamente mais ‘sério’. Mas apenas pelas piores razões. É mais fiável, apenas, por ser mais previsível, do que Soares. Não passa daí. É a seriedade da curteza de vistas, da fraca cultura política (apesar dos dez anos de Governo) e do imobilismo intelectual. É limitado demais nas vertentes da sua cultura para parecer (ou poder ser) contraditório.

Soares é precisamente o seu oposto. Vai a todas.

Mas porque parece receá-lo a direita?.

Soares pode, circunstancialmente, unir a esquerda, mas dizer que é um homem cristalinamente de esquerda é de uma grande ligeireza. Tem dias. E ocasiões. É absolutamente dependente das conjunturas e dos interesses.

É um anarco malabarista que gosta de se julgar de esquerda e adora ‘surfar’ nas ondas da política. Ter a sensação do perigo e do domínio dos elementos.

De Soares pode vir tudo. Para o bem e para o mal.

De Cavaco não. A direita fez-lhe o retrato e aprisionou-o. Apossou-se da sua personalidade e exibe-o como se fosse coisa sua, sem que ele esboce a mínima reacção de defesa. Até nisso mostra as suas limitações. É refém das clientelas que promoveu e reconhecidamente lhe retribuem.

Soares é a agitação. Cavaco é o tédio. Dele só se espera que seja um polícia de bairro, atento, rigoroso e eficaz no uso do cacete. Mais nada.

Soares está velho, dizem. Pois está. Mas não tanto que se lhe possa mandar rezar missa por alma (política, bem entendido, porque não tem outra…). E Cavaco é novo? É alguma flor a desabrochar? Um iniciado com um longo futuro à sua frente?!!

Soares sabe ser jovial e é intelectualmente muito mais fresco do que Cavaco, que pertence à categoria dos que já nasceram velhos.

Está muito longe de estar ‘xéxé’ ou com os pés para a cova. Mantém toda a sua vitalidade. Com todos os defeitos e virtudes intactos. E uma compulsão brutal para intervir.

Em reflexão, ou não, o felino já espreitou a sua presa e só a deixará escapar se isso lhe der um gozo muito maior que a captura. Por enquanto vai apenas brincar com ela e depois se verá o que lhe imporá o seu insaciável apetite. A hipótese Soares (mesmo só a hipótese) é, pelo menos, a que mais vai animar a componente lúdica deste processo. Sem ele tudo seria um tédio insuportável. Uma chatice de morte.

Nenhum Soares nem Cavaco salvará a pátria. Só na cabeça de alguns comentadores mais excitados pode fervilhar tão absurda fantasia.

Porque não, então, Soares?

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