A nossa cultura tem muito da matriz judaico-cristã; por isso, a cabala tem aqui lugar! O três, o cinco, o sete, o onze, por exemplo. O inestimável engº Pinto de Sousa retomou-a, e em grande, não se contentando com os pequenos números. Escolhe 50. As 50 medidas para salvar a Economia. Em pouco mais de uma semana, ressurge a visão salvífica da Pátria, através da qual o seu Governo lança mão de um novo pacote. Não foi preciso muito tempo para as preparar, nem um grande debate para as avaliar.
O que interessava era apresentar 50 medidas. E quais? Para quê? Mistério. No Natal que atravessamos, nada melhor do que lhe colar a categoria de mistério. Mistério mais cabala, só faltam os Reis Magos, e o engº Pinto de Sousa até dirá que a Salvação está próxima! Quando se reconhece a imperiosa necessidade de recriar ou consolidar uma economia, convocam-se os especialistas, os empresários, as associações, as universidades, os estudiosos, e, em conjunto, debatem-se conceitos, ideias e estabelece-se um plano de acção.
A Finlândia fê-lo quando a URSS se volatilizou e ela deixou de ser o parceiro privilegiado ocidental para as transacções comerciais. A Nova Zelândia fá-lo há duas décadas. A Islândia que abriu falência há quase ano e meio fê-lo no meio da tempestade financeira. O Portugal do engº Pinto de Sousa não precisa dessa reflexão alargada a todos os intervenientes. Em uma semana, curiosamente antes do Conselho Europeu, pensa, avalia e decide. E, em boa verdade, assim tem de ser! Dizer o quê? Não era isso que interessava; não era ajudar a economia que contava, mas apenas "épater l’Europe", fingir que estávamos alertados e capazes de fazer o nosso trabalho doméstico.
Estamos numa fase de fingimento e incapacidade. O Governo finge que cumpre o que deve aos portugueses. Lança 50 medidas, quer injectar na economia 5 mil milhões de euros, cria apoios públicos de 50 milhões de euros às empresas de exportação, lança 50 mil estágios profissionais para pessoas, promove 50 mil entrevistas e ofertas de emprego. O cinco é o ‘fetiche’ do engº Pinto de Sousa. Finge perante credores e exterior que está em cima do problema. Mas é incapaz de os abordar com seriedade e eficiência.
Deixa derrapar as contas públicas e não lhes põe cobro. Mas tudo isso é-lhe secundário; o essencial é mostrar que faz. Até quando vai ele fingir? Porventura quando se se perceber que o exercício de 2010 não apresenta os resultados que devia! Nessa altura, percebem-se o logro, a mistificação, a impotência. E então não será necessário a luz que no Natal desce sobre Belém, basta constatar a verdade das coisas.
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