Na Ásia do sul, 29 por cento dos menores de três anos são subnutridos. A África Subsariana apresenta a mais elevada taxa de mortalidade, entre os menores de cinco anos, que em Angola chega a atingir 260 crianças, por cada mil.
As guerras, as epidemias, a sida são responsáveis por milhares de crianças mortas e pela situação dolorosa em que muitas sobrevivem.
São milhões de crianças maltratadas em todo o Mundo. Muitas delas forçadas a prostituírem-se, exploradas por toda a sorte de interesses. Mal alimentadas, afastadas da escola e da família. Tratadas como coisas, meros objectos manipulados por adultos, com maiores ou menores responsabilidades.
Os dados, impressionantes, constam do relatório da Unicef, divulgado quando se completam 60 anos de vida desta organização.
Quando olhamos para a fome no Mundo ou para a exploração infantil, os números sugerem um retrato arrasador, do que os adultos (porque é deles que se trata) não souberam ou não puderam fazer.
Claro que a miséria sempre existiu, mas hoje em dia é possível ter consciência da pobreza à escala universal. Já ninguém pode escapar a esta tomada de consciência. Aliás, o panorama mundial aponta para o agravamento das desigualdades, deixando os muito pobres a anos-luz dos cada vez mais ricos. Neste quadro, as crianças são sempre o elo mais fraco, dependentes, como estão, de grandes decisões e de pequenos gestos que nunca controlam.
Pelo que se lê neste relatório sobre a situação mundial da infância, torna-se evidente que há milhões de crianças que não conhecem a palavra direitos. A muitos milhões de crianças resta a proeza da sobrevivência, tantas vezes negada por mãos adultas, com muitos pretextos – económicos, políticos, colectivos ou individuais. Pretextos atrás dos quais se escondem os pequenos-grandes egoísmos de cada um: pretextos para não ajudar, para não adoptar, para não intervir ou para não deixar nascer.
Por cá, no referendo que aí vem, discute-se acaloradamente a eventual prisão de mulheres, pelo crime de aborto, pretendendo-se despenalizar a sua prática quando a gravidez não tenha ultrapassado as dez semanas. Mais uma vez, estamos a falar de crianças, cujo direito a nascer é posto em causa, como se de uma simples coisa se tratasse. Mas ocorre perguntar: quantas mulheres já foram condenadas em Portugal à prisão, por abortos praticados até às dez semanas? Nos casos que chegaram a Tribunal, quantos deles se referiam a gravidezes até às dez semanas?
Corremos o risco de estar a referendar uma medida cuja aplicabilidade é praticamente nula. Por isso, este referendo parece um pretexto, através do qual se envia a lamentável mensagem de que a vida tem um valor cada vez mais relativo, manipulável por quem se acha constituído no direito de decidir sobre quem deve viver.
A vida, mesmo de uma criança, não é uma coisa simples, nem uma simples coisa.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Ventura é um perigo para a democracia que o PSD agora abraça.
Afinal de que adiantam dias de descanso se tivermos fome e sem casa para morar?
Olhamos para o lado e vemos o Governo espanhol a apoiar famílias e empresas
Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Não gostava do Generalíssimo como não gostava do dr. Salazar, o que várias vezes se apresentou ser um problema para a família
O mais urgente: remeter ao MJ as propostas da regulamentação em falta, para aprovação.