Ao fim de dois anos de ver Portugal como um laboratório de engenharia social, a troika percebeu que reprovou clamorosamente na 7ª avaliação. Quanto ao Governo que não tem perdão a teimosia que o levou ao chumbo na 2ª chamada de Direito Constitucional Financeiro.
A imprensa de referência, do ‘New York Times’ ao insuspeito ‘Financial Times’, disserta sobre a perversidade da overdose de austeridade a que está sujeita a Europa e da singular inviabilidade do caso português. No plano interno, é difícil encontrar um antigo líder ou Ministro das Finanças de direita ainda iludido pelo desastre económico e social destes dois anos.
A remodelação gorou-se como oportunidade para um suplemento de alma governativo ao reduzir-se a uma penosa expiação de culpa através da escolha de Ministros apresentados como as antíteses pessoais e profissionais de Relvas.
A degenerescência da maioria empurra-nos para o que o cinéfilo Portas veria como um misto viscontiano de falsa mudança do ‘Leopardo’ com a pestilência decadente de ‘Morte em Veneza’. Por isso o sempre renascido CDS ensaia o exercício bipolar de não querer ser parte do Governo nem sair dele.
A ladainha do consenso nacional é hoje ficção de mau gosto ineficaz como sedativo para os parceiros sociais e o PS desde que as previsões de Gaspar passaram a ter menos crédito do que as da taróloga Maya.
A maior tragédia reside hoje na ausência de esperança que leva os portugueses a desprezar o Governo, a desconfiar de eleições e a perguntar se o Palácio de Belém está devoluto.
A única forma eficaz de encerrar a avaliação da troika pendente do desajustamento do Governo com a ordem constitucional seria a decisão de suspender o desastre em curso e lançar uma renegociação profunda do Memorando.
A vertigem do colapso iminente só é superada com a confiança dos parceiros em torno de consensos a respeitar pelo menos até 2020. É urgente dizer a Passos que é conversa acabada mas que é decisivo para o futuro recuperar quase dois anos de conversa atrasada. Ganhará quem conseguir construir as novas pontes acabando com este tempo perdido…
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Não parecendo uma pessoa extrovertida, o Papa Leão XIV transmite algo de ternurento e carinhoso.