Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoO índice oficial que mede a evolução dos preços em Portugal (Índice de Preços ao Consumidor) sofreu um súbito aquecimento em Outubro e a média disparou para 2,6% – o que significa uma agravamento do custo de vida muito superior ao esperado. Mas se para quem é rico a inflação não passa de um conceito macro-económico, para a maioria dos portugueses com orçamentos muito limitados inflação significa um dramático agravamento do custo de vida.
Mais grave ainda é o impacto que a subida dos preços tem nos dois milhões de pessoas estatisticamente pobres e nos outros dois milhões que estão fora da estatística oficial mas que se não recebessem apoios sociais engrossariam para 40% a percentagem de portugueses que vivem abaixo da linha de água’ da pobreza.
O cabaz de produtos essenciais destas pessoas mais desfavorecidas tem um maior peso nos produtos alimentares de primeira necessidade e estes estão a evoluir a um ritmo alucinante. O leite e derivados, pão, ovos, carne, estão a subir muito acima dos 2,6%. Em muitos casos e em poucos meses sobem ao ritmo de dois dígitos.
Com o novo ano anuncia-se novas subidas drásticas no preço do pão, arroz – e é natural que a subida do preço do leite se reflicta ainda mais no consumidor. A causa para o aumento do preço dos produtos alimentares está relacionada com a crescente procura dos biocombustíveis. A procura de produtos alternativos ao petróleo aumentou o preço dos cereais. E não é só o pão que aumenta, as rações pra animais ficam mais caras, o que significa que a carne, o leite e os ovos também acompanham esta subida.
Com este agravamento do custo de vida real muito superior ao medido pela inflação oficial, o exército de pobres vai aumentar. E não serão apenas os declaradamente pobres, com rendimentos de miséria, a sofrer. As famílias de classe média endividadas, que desde o ano passado estão a pagar a forte subida de juros, têm de esticar menos dinheiro por mais dias. Conseguir isso, apesar de ter de se pagar mais pelos produtos essenciais, que não podem faltar em casa, é quase um milagre.
Graças a acções espectaculares e a um efectivo controlo das actividades económicas em todo o território, a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) passou a ser conhecida e temida em todo o País. Desde feirantes a donos de luxuosos restaurantes, qualquer empresário com estabelecimento aberto ao público teme a entidade liderada por António Nunes. De facto, esta força, que também tem funções policiais, já levantou quatro mil processos-crime sobre material falsificado, já deteve 600 pessoas – mas nenhum processo foi julgado em tribunal.
A questão da falsificações de CD, DVD e marcas precisa de peritagens. Se a Justiça não resolver estes problemas a imagem de eficácia da ASAE pode ficar comprometida e este activo é fundamental no trabalho realizado por esta autoridade – que apesar de algumas justas críticas de fundamentalismo tem feito um trabalho notável.
A ESCOLHA DE ALMERINDO
Almerindo Marques tem quase 68 anos e fez uma brilhante carreira na Banca. Quando Morais Sarmento o convidou para assumir a presidência da RTP pensava-se que o mandato seria o último cargo do gestor. Sem experiência prévia na televisão, fez um trabalho considerado positivo a nível de gestão financeira da estação pública. Agora enfrenta um novo desafio na Estradas de Portugal. A sua escolha é uma manobra inteligente do Governo para acabar com a polémica em volta da concessão da empresa.
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