Sócrates está mal da vida. Alegre quer mais socialismo. E mais socialismo em pré-campanha eleitoral implica uma alterosa vaga de eleitoralismo. Mas Cavaco, o grande desmancha-prazeres, foi a Espanha anunciar que não quer eleitoralismos. Pede de mais. O eleitoralismo é o sangue que corre nas veias de todos os políticos logo que se pressente eleições. Sem eleitoralismo os políticos vivem num estado de semicoma amargurante. Sócrates vive, a partir de agora, encravado entre Alegre e Cavaco e recolhe os frutos da sua sementeira.
Porque nenhuma das suas mais polémicas decisões resultou de imperativos ditados pelo seu modo de ver a governação. Resultaram todas das preocupações veiculadas por Cavaco. Sócrates combateu o défice com as regras de Cavaco, enterrou a Ota graças a Cavaco, mandou o referendo para as urtigas graças a Cavaco e pôs os patins a Correia de Campos ainda graças ao alarme lançado por Cavaco. E, agora, está metido numa grande alhada. Cavaco, o professor, habituou-se à ideia de que Sócrates é um aluno que não causa problemas. Cumpridor e obediente. E meia palavra lhe basta para entender os recados. E Sócrates é um homem do professor. Mas é pena que Cavaco fale apenas para Sócrates e Alegre. Porque Menezes e Santana riem-se. E esfregam as mãos de contentes. O distante, mas eterno, líder espiritual das hostes laranja (inadvertidamente?) deu um bodo aos desvalidos do desastre do Coliseu. O travão ao eleitoralismo de Sócrates será um bálsamo para as suas aspirações. Porque sem eleitoralismo, boçal e bacoco, ou subtil, ninguém ganha eleições neste país. De que tem medo Cavaco? Dos excessos das oposições? Claro que não. Apenas das tentações de Sócrates, que o “demónio” Alegre não vai deixar em paz. Cavaco tem medo de que a renascida alma socialista com que Alegre contagiou já grande parte do partido possa apoderar-se de Sócrates. E que tais tendências possam ditar algumas medidas que possam prejudicar o controlo do défice. Porque Cavaco (honrado homem que acreditará piamente, até à hora da morte, no que lhe ensinaram nas universidades), como político, só tem uma preocupação verdadeira na vida. O controlo do “monstro”. Se para o liquidar tiver de atirar grandes franjas da população para o desemprego e a indigência, tudo bem. Primeiro mata-se o “monstro” e só depois se pensa nos pobrezinhos que sobrarem. E de quem o seu bom coração, nas horas vagas, tanto se condói também. Só por isso, Cavaco não quer eleitoralismo(s). Mas, delimitada esta barreira, Cavaco deixará os meninos brincar à vontade. Podem pôr as máscaras que quiserem. Contar as mentiras que lhes apetecer. Atirar líquidos mal- cheirosos uns aos outros e pregar todo o tipo de partidas. Cavaco não quer tirar-nos os poucos momentos de gozo que os nossos políticos ainda nos proporcionam. Claro que vamos ter enxurradas de eleitoralismo queira-o Cavaco ou não. E se, por acaso, por uma vez, Sócrates não for capaz de estar de bem com Deus e com o Diabo, Cavaco terá uma grande surpresa. Sócrates, no período eleitoral, joga todo o seu futuro político, e se Cavaco não resistir à tentação de interferir irá ver, pela primeira vez, quanto ele é determinado. Finalmente.
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