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Francisco Moita Flores

Francisco Moita Flores

Professor universitário

Escândalos e crimes

17 de julho de 2011 às 00:30

O escândalo que, neste momento, percorre a Inglaterra e se propaga um pouco por todo o mundo, desta vez não envolve figuras públicas. Implica jornalistas. A descoberta de que o mais sensacionalista jornal britânico, o ‘News of the World’, realizou escutas ilegais durante anos para servir o seu noticiário de escândalos coloca o poder político e judicial inglês perante a necessidade de enfrentar um dos maiores grupos de imprensa do mundo, liderado pelo norte-americano Rupert Murdoch.

Vai ser interessante perceber até onde a polícia vai chegar nas suas investigações, agora que se suspeita de que outros órgãos de comunicação social do mesmo grupo também estiveram envolvidos em práticas ilegais, e ainda mais interessante saber qual o poder que domina o verdadeiro poder de influência e decisão.

Enfrentar Murdoch numa batalha judicial em que este não saia queimado e o poder político consiga não ser incendiado pela força impressionante deste magnata da comunicação social é coisa que nenhum governo do mundo desejaria. Mas também é verdade que com esta fascização do jornalismo de alcova não é possível continuar a meter a cabeça na areia e fazer de conta que os jornalistas são intocáveis, uma espécie de inteligência crítica imune e inimputável, abrigada no chapéu do direito à informação sem limite nem piedade. A sequência de crimes associada a este escândalo abre uma Caixa de Pandora.

O império de Murdoch não se cala, e julgo que não se verga, com a facilidade com que se rebenta com um jornaleco paroquial, porém a sua própria grandiosidade obrigá-lo-ia à necessidade de grandeza moral, coisa que, pelos vistos, não interessa. Apenas dinheiro e só dinheiro. Foi por dinheiro que se cometeram os crimes que levaram ao escândalo, não foi pelo direito à informação. Foi pela exploração dos sentimentos mais irracionais e acríticos que as publicações panfletárias e voyeuristas, que produzem milhões e milhões, permitiram alimentar a outra parte dos seus produtos de comunicação tidos por sérios e de referência. Quando o jornalismo não passa de negócio puro e simples, torna-se nesta obscenidade que em Inglaterra se revela com este enorme escândalo. Resta saber se a amoralidade paga o preço judicial que merece.

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