Deitar cedo e cedo erguer era preceito esquecido dos portimonenses. O comércio abre às dez e não goza de boa saúde. Em boa hora se coage o contribuinte a saltar da cama, ao romper da bela aurora. É bom para qualquer Aurora estremunhada. As bichas infindáveis obrigam a respirar ar puro, ali nas imediações do Cemitério. Aqui o utente, deitado, já não expele dióxido de carbono.
Nas Finanças, a multidão apinha-se a um canto exíguo, nariz espetado no ecrã de plasma. E, de pé, nariz rima com variz. Quem observa a turba parece assistir a um dérbi. Mas a mudez tumular e a carranca mostram que não é assim. Espera-se impacientemente que caia o número da senha. E o euromilhões nunca mais sai… Já se chegou a vias de facto por uma questão de prioridades. Não sei se à direita. A culpa não é dos funcionários, os mesmos de sempre, que agora chegam muito mais tarde a casa.
A instalação do Serviço de Estrangeiros, no mesmo edifício, também foi bem pensada. Quando abrir, a animação será superior. Os imigrantes que se legalizam poderão conviver acotoveladamente com os nativos que querem pagar o IMI ou o IRS. Aqueles, em português macarrónico, aprenderão obrigações fiscais lusas. Os nacionais, línguas eslavas ou sotaque meloso do Brasil.
Engana-se quem diz que o Fisco só pensa em cobrar. Aqui promove-se a contemplação, o convívio intercultural. Exercita-se a paciência, testam-se humores, esgrimem-se razões. No fim, paga-se. Sem pressa!
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Por Carlos Rodrigues
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