page view

Os fenómenos de violência a que estamos a assistir na Grã-Bretanha, a pátria dos direitos e da civilização, têm de tudo um pouco. Quem pensar que se confina a um problema de criminalidade pura e dura engana-se. Não são só grupos de criminosos à solta. Os problemas sociais, a falta de emprego e de formação, a ausência ou desagregação das famílias também estão associados ao que se está viver.

O que temos é, sem dúvida, uma geração sem esperança numa Europa sem esperança, que está velha e esgotada. Que adianta uma Europa com história, que prega valores, se não é competente para oferecer trabalho a quem precisa de comer?

Naturalmente que os criminosos, os xenófobos, os racistas, a emigração ilegal e os nacionalismos, ou seja, todos os que vivem nas franjas da sociedade, aproveitam-se do descontentamento instalado. Este é um terreno fértil para aparecerem e imporem as suas regras. E como a Europa não se fecha à chave, não conseguiu impedir a entrada de gente sem rumo, que procura uma vida melhor.

Esta mistura de raças, este conflito de gerações de jovens em busca do tempo perdido, que nada têm a perder, porque nada têm, torna este terreno explosivo. E mais explosivo devido ao efeito multiplicador do conhecimento gerado pelas redes sociais e pela cobertura dos média.

Sendo certo que é preciso impor sempre a ordem social e a paz, estes problemas não se resolvem, de forma sustentada e consolidada, à bastonada. As bastonadas resolvem o provisório, mascaram a face da violência e dão uma ilusão de paz. A paz e a segurança resolvem-se com emprego, estabilidade social, com redes de apoio e de solidariedade, com educação e com formação.

Luther King inspirou uma geração em favor das transformações sociais sem nunca abrir mão da paz.

Para esta geração sem esperança que caminha na esperança de encontrar a sua paz e a sua vida, a guerra e a violência são o caminho. Não há mercado nem crise financeira que resista a este teste de contaminação. De nada adianta controlar o défice público se cair sobre nós a violência e se não houver paz. Mas a paz de todos e para todos.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Blog

As superpotências estão mais frágeis e os conflitos mais imprevisíveis.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8