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Uma tendência, aliás, que também se reflecte nos anúncios televisivos destinados aos adolescentes, invariavelmente povoados por mentecaptos radiantes por serem estúpidos.

Ignoro se o ‘CQC’ é inspirado no programa brasileiro homónimo (que por sua vez mimetiza um formato argentino). O que fica claro é que se trata de um projecto pré-fabricado, uma espécie de conceito colado com cuspo que faz uma miscelânea de chavões rançosos e antediluvianos (desmentindo o seu rótulo de frescura). Senão, vejamos. As três almas que se apresentam numa bancada têm a espontaneidade de fedelhos birrentos. A entrevista-armadilha (na estreia, com Carlos Mendes) é mais velha do que a avó do engenheiro Sousa Veloso (até Teresa Guilherme a usou no século passado – literalmente). Já foi má da primeira vez. A repetição torna-a excruciante. Restam as perguntas ultrajantes (deliberadamente energúmenas) a celebridades (na estreia, infligiram-nas a Al Pacino).

No tempo da Maria Cachucha, o humorista inglês Dennis, the Pennis esgrimiu tal recurso com verve e espírito: no fundo, desmascarava a vacuidade pomposa de tantos colunáveis (inúmeros dos quais impingem um conto-do-vigário artístico ao público ignorante ou embotado). O pastiche da TVI limita-se a mandar bojardas desprezíveis. O equívoco fundamental do programa é julgar que para ter graça ser descarado chega e sobra. Um único ponto a favor: o gozo com as imagens de outras emissoras. Nunca percebi a promiscuidade que reina da TV portuguesa, com, por exemplo, bocados do ‘Prós e Contras’ aparecendo no ‘Jornal da Noite’ da SIC. Mas é uma gota de água numa seca – seca no sentido de tédio e de aridez. Ah! E as legendagens das traduções estão infestadas de caneladas na gramática.

Nietzsche disse das comédias de Shakespeare: "O que este homem deve ter sofrido para ter esta necessidade de fazer de palhaço!" O ‘CQC’ não sofre: prefere torturar-nos a nós.

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