O resultado foi a conquista pelo PS da maioria absoluta que haveria de atirar o PSD para uma crise profunda. Já acontecera o mesmo, décadas antes, com Sá Carneiro, depois de uma campanha do mesmo género. O resultado foi a vitória da AD. É o erro fundador de grupos políticos desesperados que, antevendo a impossibilidade de ganhar o jogo de forma leal, passam à sarrafada e ao enxovalho pessoal, convencidos de que o árbitro – os eleitores – não dá pela coisa. Há poucos dias surgiu outro bando, agora procurando atingir Passos Coelho por causa de umas multas ambientais aplicadas a uma empresa que liderou. Fui ver, pois já estranhava que a alarvidade não chegasse no seu maior esplendor. Um chorrilho de disparates. São multas de vária ordem, ligadas a transportes, muitas delas anteriores à presença de Passos Coelho na empresa. Algumas dessas coimas são de cem euros. Não só é ridículo como já se abandonaram os grandes casos (Freeport/submarinos) e entrámos no mundo rasca da multa. Se os cérebros que ensaiaram esta manhosice forem até às últimas consequências, concluir-se-á que toda a gente já foi multada, nem que tivesse sido num miserável estacionamento proibido, e acabavam-se os candidatos definitivamente. Talvez se safasse o Louçã, o grande pregador da moral, que, acredito, nem uma multa por falta de cinto de segurança deve ter no seu passado. É certo que quando uma campanha destas surge, por mais ridículas que sejam as denúncias, revelam uma profunda angústia e dão um sinal de desespero. Já não acreditam nos chavões do partido. Já não acreditam que se engole a desculpa do chumbo do PEC 4, já não acreditam que a balela do Estado Social está em causa. E têm razão. Passos não pode destruir o que está destruído. Apenas os alarves, os revoltados sem causa, acreditarão na eficácia eleitoral de campanhas negras. A grande massa do eleitorado vê sempre onde está o golpismo. Viu sempre, e julgo mesmo que a maioria absoluta da AD de Sá Carneiro assim como a maioria absoluta de Sócrates representaram a repugnância colectiva por este tipo de práticas que dão umas notícias, alguns comentários, muita má-língua, mas não recolhem um voto que seja para a causa pretendida pelos organizadores da imundície. Lixo, puro lixo. Passos Coelho bem pode pedir a Deus que os seus inquisidores rascas continuem a persegui-lo. É sinal de que vai ter maioria absoluta.
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Por Carlos Rodrigues
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