O Governo apresentou o projecto do aeroporto da Ota. Após anos de polémica vai arrancar o processo de construção de um dos maiores equipamentos aeroportuários da Europa.
Os argumentos desfavoráveis foram, ao longo de anos, exaustivamente esgrimidos. Foi afirmado que o aeroporto da Portela, complementado com o de Figo Maduro, asseguraria as condições operacionais necessárias para várias gerações de tráfego aéreo. O turismo da grande Lisboa ia ser prejudicado. A opção a sul do Tejo seria mais escorreita. O investimento, segundo alguns, inevitavelmente público e faraónico, iria contra a lógica de hoje o canalizar para áreas mais reprodutivas. Finalmente, esta localização ia condenar a prazo o aeroporto Sá Carneiro.
Favoravelmente ouvimos falar das dificuldades de resolver a curto prazo toda a lógica ligada à necessária funcionalidade dos terminais de carga, inextensíveis na Portela, bem como da capacidade para cobrir o fluxo aéreo global a partir de 2015. Da incompatibilidade ambiental dos novos poluidores supersónicos sobrevoarem a cidade de Lisboa. Por último, o perigo decorrente de uma catástrofe de dimensões dantescas, que ocorreria caso um acidente acontecesse nas proximidades de um dos poucos aeroportos urbanos das cidades europeias.
Agora, com factos consumados, deixemo-nos de lamúrias. Daquelas que destroem a nossa auto-estima. Como as que crucificaram, injustamente, Cavaco Silva quando ele avançou para o hoje inquestionável Centro Cultural de Belém.
Pensamento positivo pressupõe correcções de eventuais erros de concepção e proposta de medidas complementares que potenciem o sucesso do projecto. É aquilo em que todos devemos trabalhar em convergência nacional.
O projecto deve procurar o mais possível fontes de autofinanciamento. Entre elas a que poderá vir a estar ligada à privatização da ANA e à maximização das taxas arrecadadas no aeroporto da Portela.
O processo deve envolver também, sem preconceitos de excesso de isenção, as empresas portuguesas.
Deve aproveitar para contextualizar um grande projecto de desenvolvimento urbano multifacetado, que crie um longo corredor de desenvolvimento que vá da Ota a Lisboa e alavanque o enorme potencial empresarial, cultural e turístico do Oeste.
Deve, igualmente, perenizar o emprego que essa infra-estrutura vai gerar, descomprimindo as tensões sociais decorrentes de se criarem cerca de 56000 postos de trabalho permanentes depois de 2017 e mais de 3000 desde 2007.
Em simultâneo, é necessário apaziguar o Norte do País e demonstrar que este equipamento é nacional e pode e deve potenciar o desenvolvimento de todo o território. Protelar a ligação do TGV entre Porto e Lisboa e apostar em exclusivo na ligação Madrid, Ota, Lisboa e na ligação Porto, Vigo, Santiago, Corunha seria uma atitude assisada.
Esta última ligação transformaria o Aeroporto Sá Carneiro na grande placa giratória aérea do noroeste peninsular. O Governo deve ainda continuar a apostar na expansão do Metro do Porto e a canalizar para aquela região instituições europeias dinamizadoras da projecção nacional e do desenvolvimento integrado, que, como aconteceu nos últimos anos, beneficiou a Grande Lisboa.
Desta forma remaremos todos para o mesmo lado. Ser Oposição não é dizer sempre mal, principalmente quando isso já não conduz a nada. Ser Oposição alternativa pressupõe ajudar a corrigir erros e a consensualizar as melhores decisões.
Como português empenhado na construção de uma Oposição que substitua esta maioria em 2009, esta querela terminou. A partir de hoje ‘morreu’ a Portela. Longa vida à Ota. Para bem de Portugal.
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Por Carlos Rodrigues
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