Perante a vida, é frequente serem adoptadas atitudes de consumidores, quando importava ser indagadores, mendigos permanentes de sentido. Um verdadeiro crente procura a face de Deus e continuamente a encontra no irmão à procura de vida mais abundante, com sede de justiça, com fome de pão, carente de compaixão, caído no isolamento, amargurado na solidão, aterrado no vício. Viver da fé é um processo livremente assumido de onde brotam: novidade de iniciativas, formas concretas de comunhão, serviço atento. A vida de cada ser humano é um projecto permanente de orientação e interpretação, mais fatigante em momentos de crise cultural, sem soluções mágicas. Todos somos convidados a interpretar e a construir a partir do que nos transmitiram, do que nos é oferecido já configurado. Importa, contudo, levá-lo por diante com criatividade de formas e meios.
O projecto vital depende do universo simbólico de cada civilização e cultura. Só a partir de um conjunto de significados, símbolos, esquemas interpretativos e representativos se justificam ou legitimam formas de vida, ideias e comportamentos sociais. A partir daqui grupos, instituições e indivíduos elaboram a sua visão do mundo, o sentido último global da vida, do mundo, da história, de Deus.
Sabemos da urgência de procurar soluções, mas será fundamental prestar muita atenção às razões que conduzem à falta da nossa qualidade de vida comunitária e à mediocridade da solidariedade social.
Quem trabalha a construir vida solidária não fala uma língua morta, um latim que não se entende. Quando criamos proximidade das situações dramáticas, recorremos à linguagem universal do amor, da ternura libertadora.
Importa não pretender regressar a formas de isolamento ou a mecanismos de defesa ou até de confrontação beligerante. A fidelidade à mensagem de Jesus exige formar comunidades que transmitam hoje a verdade da salvação e da felicidade. A comunhão com Deus e com todos os seres humanos, sobretudo com os mais atingidos e feridos, decorre do potencial da fé cristã. Assim os crentes testemunham que Deus não é indiferente ao mundo e que a vivência de um estilo de vida novo faz parte da difusão da Boa Nova de Jesus.
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Por Carlos Rodrigues
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.