As primeiras semanas televisivas de 2004 ameaçam ficar seriamente marcadas por "Morangos com Açúcar", o projecto apresentado pela TVI no final do Verão e que, após quatro meses, é o novo grande fenómeno da televisão portuguesa. Para já, os "Morangos" marcam Janeiro, com uma 'pedalada' invulgar e não se percebe, ainda, como poderão ser travados. Não têm um elenco por aí além (talvez valha a pena destacar Rita Salema, Helena Isabel e Luís Esparteiro), mas a maior de todas as verdades é que os jovens estreantes que protagonizam esta "série de longa duração" – como Moniz lhe chamou desde o primeiro dia – têm chegado e sobrado para manter a liderança diária. De resto, desde o final de "Anjo Selvagem", de tão boa memória para a TVI, que não se via nada semelhante: há uma pequena febre em torno destes jovens actores (Benedita Pereira e João Catarré, no caso), que alastra de forma avassaladora nos públicos mais jovens e que pode mesmo levar a concorrência mais directa a ter de pensar, para breve, num "plano de emergência"… A história da novela – perdão, "série de longa duração" – é do mais simples que pode existir: os problemas normais de qualquer adolescência, um monte de dúvidas e os amores mais ou menos correspondidos. É assim, com esta base de trabalho e com o esforço assinalável de meia dúzia de carinhas larocas, que a TVI está a levar a água ao seu moinho e a bater, uma vez mais, o que nos chega do lado de lá do Atlântico. "Morangos com Açúcar" vai para o ar três vezes por dia (duas ao final da tarde e mais uma após o "Jornal Nacional") e em qualquer dos horários consegue resultados muitíssimo satisfatórios. José Eduardo Moniz está a "jogar" muito bem com os tempos de entrada no ar (há mais "agilidade" na TVI do que em qualquer outra estação) e tem mostrado um excelente "faro" técnico na forma como está a potenciar em matéria de horários e confronto directo a sua "série de longa duração". Ainda assim, já estão identificadas duas razões – quase óbvias – para a recente quebra da SIC no período que se segue ao fim do "Jornal da Noite". Uma, que aqui referi há uma semana, é o indisfarçável desgaste dos "Malucos do Riso", que na melhor das hipóteses precisavam de ir um ano (inteirinho!) de férias. Outra, e essa sim, pode ser uma questão de tempo, é o arranque menos feliz da "Celebridade". Tem tudo para agradar (e agrada), mas está a passar pelo mesmo que passaram as últimas novelas da Globo na SIC: arranques mornos, resultados medianos. Mas aqui há uma boa dose de culpa própria. Com Emídio Rangel em Carnaxide, havia sempre uma altura em que, ao mesmo tempo, se vivia a última semana de uma novela lado a lado com o início de uma outra. Ou seja, a célebre "sanduíche" que obrigava os milhões de seguidores dos últimos episódios de uma qualquer novela a contactarem de imediato com a que acabava de estrear e ficava para os meses seguintes. A partir do momento em que erradicou esta estratégia, nunca mais a SIC ganhou o horário nobre. Mas isto, claro, é apenas uma coincidência…
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Por Carlos Rodrigues
A humanidade evoluiu, mas há quem nunca tenha saído da idade do gelo.
Portugal está presente em cada cidade onde a portugalidade e os portugueses estejam.
Montenegro concluiu que chegou a hora de "reabilitar" Ventura
No consultório, havia sempre dois temas: o Sporting e a guerra
Presidente do FC Porto não é o que parecia, para desilusão de muitos e espanto de quase todos