Ela dizia basicamente que RPS tinha sido afastado da primeira linha da administração da PT, mas que lhe tinha sido oferecido uma prateleira de luxo na PT Investimentos Internacionais. Contactada pelo CM, a PT garantiu que RPS não era director de coisa nenhuma mas apenas "funcionário" da empresa. Um "funcionário" com direito a secretária, carro e dez mil euros de ordenado por mês.
Mas a sua história, e a história do seu caso, não ficam por aqui. Quando em Maio deste ano Zeinal Bava esteve presente pela segunda vez na comissão de inquérito do caso PT-TVI, mostrou toda a abertura para que a empresa viesse a disponibilizar ao Parlamento os resultados da auditoria interna que estava a ser feita, para avaliar o papel desempenhado por RPS em todo o caso. Muitas das perguntas que então lhe foram colocadas pelos deputados foram desviadas precisamente para essa auditoria. Sete meses depois, o deputado João Semedo – louvada seja a sua memória – lembrou-se de perguntar à PT quais os resultados dessa famosa investigação. Resposta: o chairman da empresa, Henrique Granadeiro, recusou o acesso às conclusões alegando que se tratava de um documento interno.
Eis o sistema português de interesses, cunhas e clientelas a brilhar em todo o seu esplendor. Um boy que é apanhado com a boca na botija pelos jornais e que se afasta dos holofotes mas mantém todos os privilégios. Uma empresa que garante toda a transparência no Parlamento mas que esconde os resultados da auditoria que encomenda. E um país inteiro a fazer figura de urso, enquanto o sistema protege as costas dos boys. Aos 37 anos, RPS não precisa de fazer mais nada na vida, a não ser manter a boca calada. A isto se chama um silêncio de ouro.
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Por Carlos Rodrigues
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