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Depois da fuzilaria, abanaram-se duas ou três bandeirinhas brancas, apanharam-se os corpos e praticou-se a velha arte de "desdramatizar".

Só que o efeito já estava criado: o cheiro a pólvora impregnou definitivamente o ar.

Vítor Bento bem pôde vir declarar que os desentendimentos entre Passos e Cavaco são como "a caça aos gambozinos, que é uma coisa que toda a gente persegue mas nunca ninguém viu".

É uma frase bonita, mas falsa: as notícias dos desentendimentos até podiam ser forjadas; o histerismo das reacções prova que elas são verdadeiras.

A partir de agora é oficial. O PS de António José Seguro passou a ter a companhia da rapaziada de Belém no coro que reúne toda a esquerda: "parem com os cortes já/ sem crescimento não vamos lá".

O que eu não compreendo – se calhar é problema meu – é onde é que estão as alternativas. O que me lembro de ter visto há quase um ano foi uns senhores estrangeiros aterrarem na Portela e dirigirem-se ao Terreiro do Paço para nos emprestarem o dinheiro que já não tínhamos mediante as condições que nos decidiram impor. Não foi um sonho meu, pois não? Donde, Passos não está a governar. Passos está a obedecer. É assim tão difícil perceber isto?

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