Depois da fuzilaria, abanaram-se duas ou três bandeirinhas brancas, apanharam-se os corpos e praticou-se a velha arte de "desdramatizar".
Só que o efeito já estava criado: o cheiro a pólvora impregnou definitivamente o ar.
Vítor Bento bem pôde vir declarar que os desentendimentos entre Passos e Cavaco são como "a caça aos gambozinos, que é uma coisa que toda a gente persegue mas nunca ninguém viu".
É uma frase bonita, mas falsa: as notícias dos desentendimentos até podiam ser forjadas; o histerismo das reacções prova que elas são verdadeiras.
A partir de agora é oficial. O PS de António José Seguro passou a ter a companhia da rapaziada de Belém no coro que reúne toda a esquerda: "parem com os cortes já/ sem crescimento não vamos lá".
O que eu não compreendo – se calhar é problema meu – é onde é que estão as alternativas. O que me lembro de ter visto há quase um ano foi uns senhores estrangeiros aterrarem na Portela e dirigirem-se ao Terreiro do Paço para nos emprestarem o dinheiro que já não tínhamos mediante as condições que nos decidiram impor. Não foi um sonho meu, pois não? Donde, Passos não está a governar. Passos está a obedecer. É assim tão difícil perceber isto?
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.